7.2.12

Sobre o fado {o das músicas e o outro}...

Existe um semanário aqui na minha zona, quase tão velho quanto eu (digo eu, que nesta coisa das datas a minha memória já teve melhores dias) que todas as semanas tem reportagens deveras interessantes.

Como jornal que é, tem ofertas de emprego (poucas, muito poucas), publicidade, paginas de desporto (não só do rei, mas também de todos os outros que por aqui se praticam) e mais uma série de artigos. Uns de opinião. A maioria de desopinião!

No entanto, e não é de todo uma afirmação leviana, uma vez que a pude comprovar em cada sexta feira dos últimos anos, a 1ª, senão a única página, que a maior parte das pessoas consulta é a da necrologia. Saber quem {se} foi, ou, como dizem outros "quem já deixou de fumar"... A verdade é que esta página funciona sempre como mote para dois dedos de conversa. Até porque, o meio é relativamente pequeno e existe sempre alguém que sabe quem é tio do primo do avó daquele que, quiçá pela primeira vez na vida, tem a sua fotografia estampada num jornal...

É assim este povo portugues e somos assim nós, os alentejanos. Agarrados a um luto que muitos teimamos em não fazer. Presos a recordações. Com um fardo, por vezes demasiado pesado sobre as nossas costas.

Somos assim todos nós, que fazemos do fado a musica do dia a dia... carregada de sentimento e de saudade, é um facto, mas também deveras deprimente... Porque esta coisa da saudade é uma cena mesmo lixada. E, se nada mais houvesse, cá estaria ele, o fado das músicas, para nos recordar. E ainda o outro fado, o do destino, que teimamos em ver negro. Muito negro...

Um dia, movida por mera curiosidade, gostava que alguém se lembrasse (se é que não o fez já) de "reservar" uma página num qualquer semanário regional, onde seriam colocadas fotografias de todos os bebés que nasceram na semana em questão... Teria um imenso gosto, ou não, quem sabe, de ver as estatísticas de visualização de ambas as páginas: dos que comemoram a vida e dos que lamentam a morte... E, sem grande surpresa, quase que aposto que ganhava a última opção...

E, se porventura esta página um dia existisse, poderia ser que o nosso fado, que não o das músicas, fosse outro...  Afinal, seríamos estrelas à chegada e não na hora de partir!

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