9.3.14

Sobre o dia em que a morte nos bate à porta...

...e nós não tinhamos sonhado com ela nem no pior dos nossos pesadelos...
 
O tempo pára e vivemos uma realidade paralela de negação. Aquilo, aquela partida, não aconteceu. Não com um dos nossos. Teimamos em não acreditar em todas as provas que nos são dadas. Forçamos um regresso ao passado onde tudo ainda era vida. Não temos forças para encarar o presente. Não o queremos. Renegamo-lo. Os minutos vão passado e cada vez mais nos beliscamos para acordar. Na verdade estamos acordados desde o início e não conseguimos mudar esta realidade. Os telefones que não param fazem-nos ter a certeza que não queríamos ter. As pessoas que vão chegando vestidas de negro. Toda a burocracia que é necessário tratar. A certeza...  É mesmo verdade. A morte bateu-nos à porta e nós não a conseguimos fechar a tempo.
 
Ninguém está preparado para uma morte, muito menos para uma imprevisível.
 
Ninguém consegue chorar toda a dor que sente. Ninguém consegue perceber essa coisa da justiça divina quando "ele" leva um dos nossos. Não, não tinha que ser. Estas coisas nunca deveriam ter que ser. E por isso não se aceitam.
 
Há três dias atrás não morreu só ele. Morreu uma parte de mim, uma das muitas partes que ele me ajudou a construir. Porque ele era um homem bom. E, as largas centenas de pessoas que choraram a sua morte disso me fazem ter certeza!
 
A vida, para nós que o chorámos, vai continuar. Vai ser uma vida de reaprendizagens, de reerguer uma "casa" depois de lhe arrancarem um pilar. Vai ser doloroso, vai ser um longo percurso que, de uma forma ou de outra, temos que fazer. E, durante muito e muito tempo, vamos continuar a chorar a sua partida. Até que um dia conseguiremos sorrir por nos recordarmos de ter tido a sorte de ter uma pessoa assim na nossa vida. 
 
O dia em que a morte me bateu à porta foi, indubitavelmente, o dia mais triste da minha vida e trouxe-me a certeza de que nunca mais os natais serão iguais.
 
Há, realmente, "dias que marcam a alma e a vida da gente", da mesma forma que "Há gente que fica na história da história da gente" e tu, que me criaste como uma filha, és uma dessas pessoas!
 
Um abraço e um beijo da tua nina, do tamanho da distância que nos separa!

21.2.14

Das viagens da minha vida #1

ºººIbizaººº

Corria o ano de 1998 e o meu, na altura, bilhete de identidade marcava 17 anos. A idade da loucura, da descoberta por natureza, do querer experimentar, testar limites, ir mais além. A idade pautada por uma responsabilidade irresponsável. 

Era a viagem de finalistas, o corolário de qualquer estudante do secundário. Para muitos, 
como era o meu caso, era sinonimo de uma primeira semana inteira fora de casa, sem regras, sem horários, sem preocupações.

De Ibiza recordo as noites loucas onde tudo era possível, onde tudo acontecia à vista de todos. Recordo a Pachá, a maior discoteca a que tinha ido até então, com salas distintas para "serviços" distintos.

Recordo as noites que se transformavam em dias, a lua que se transformava em sol, a vontade de comer que se transformava em vontade de beber e a vontade de dançar que nunca findava.

Em Ibiza todos nos aproximamos num sentimento de protecção com os que são nossos, todos nos conhecemos e todos partilhamos os mesmos apartamentos. Ninguém terminou o final da semana no mesmo quarto em que a tinha começado. 

O sentimento de liberdade que era denominador comum a todos, o querer que a viagem se tornasse inesquecível, a aventura que todos queríamos viver, fizeram com que essa semana se tornasse única.

De Ibiza propriamente dita pouco retive. A noite não nos permitia ver muito. Lembro-me da praia, da vila e de pouco mais. 

Não provei as comidas típicas  não fui aos locais turísticos  não me entranhei na sua cultura. Ibiza foi bom mas soube-me a pouco.

Ibiza foi a minha 1ª grande viagem e tornou-se num grito de liberdade.

19.2.14

Eu já... #4

Estive em 3 continentes.

Das pessoas que morrem em nós e das outras que nós matamos...

Existem pessoas que deixam de fazer parte da nossa vida. Por uma questão afastamento mais ou menos propositado. Porque, a vida faz com que as pessoas se separem fisicamente e, mesmo vivendo num mundo em que por muito longe que estejamos, todos estamos demasiado perto, por vezes à distância de um toque. Essas pessoas, com as quais deixa de existir a cumplicidade de um sorriso, que deixamos de reconhecer, que fazem parte de um passado, que são apenas pedaços da memória do que somos e do que já vivemos um dia, são pessoas que morrem em nós

Depois existem as outras, aquelas pessoas que nós matamos em nós. Que queremos arrancar da nossa vida. Esquecer uma história que se escreveu com as mesmas canetas. Que associamos de imediato à palavra desilusão. Que por vezes lentamente, pouco a pouco, nos vão ferindo no mais intimo do nosso ser. De que todas as boas lembranças são uma gota no imenso oceano de coisas que nos lesionaram. De quem "nem o nome ousamos lembrar". De uma vivência que se pautou por sentimentos de raiva e de angustia. Que despoletaram em nós uma faceta que até então desconhecíamos. Mas que, apesar de tudo, nos fizeram crescer enquanto pessoas.

Destas pessoas, das que nos morrem e das que matamos, guardamos o que de melhor se pode guardar: a experiência e a certeza do que não queremos voltar a viver.

Felizmente, em mim já morreram mais do que aquelas que matei. 

9.2.14

{Re}começar...

Que amanhã, 10 de Fevereiro, seja um novo início. Que nunca me falte a vontade. Que fotografe pelo menos uma vez por dia. Que me torne mais ativa. Que me aborreça menos. Que usufrua mais da vida. Que não me aborreça ir ao ginásio. Que beba mais água. Que deixe de comer doces à noite. Que telefone mais vezes aos meus. Que continue a acreditar. Que sorria mais. que me torne mais saudável. Que... Hoje não, amanhã...

Que amanhã seja (um novo) 1º dia!

7.2.14

Eu já... #3

...vi o mesmo comboio passar 2 vezes na mesma estação e em nenhuma o apanhei!

*Obrigada pela correcção 

Da resiliência...

Existem sonhos que adiamos porque julgamos que ainda não está na altura certa de os transformar em realidade e depois existem os outros sonhos, os que somos obrigados a adiar. Que a vida nos obriga a não viver no presente. 

Desistir é a palavra que deveria imperar, no entanto, até quando nos restam forças para continuar? Até onde a nossa persistência é capaz de ir? Quando será que vemos a luz ao fundo do túnel? Até quando a nossa resiliência é capaz de suportar a nossa vontade?

Eu, pessoa otimista por natureza, que consegue sempre ver o lado meio cheio do copo, começo a sentir-me como uma marioneta que sou comandada pelas mãos do destino mas que outrora já tive esse controlo nas minhas mãos e o acabei por dispensar.

Acredito, porque quero acreditar sempre e até ao fim, que tudo acontece por alguma razão. Mas além de acreditar quero que nunca me faltem as forças para uma "guerra" que ainda agora está no início!

Que nunca me falte a esperança de dias melhores!




Das coisas que eu não gosto mesmo nada #5

Pessoas tratarem os outros como se eles fossem burros. Como se não tivessem a capacidade de pensar, de ponderar, de responder, de estar à altura!!!

Pessoas que se acham os "chicos espertos cá do pedaço", verdadeiros donos da razão e absolutos conhecedores de todas as formas de se dissimularem!

2.2.14

Eu... {a conta gotas}




Das coisas que me apetece escrever mas não me apetece desenvolver #4


Haverá maior liberdade do que a que se sentem quando afastamos os nossos fantasmas?

Eu já... #2

Fiz granola e deixei-a queimar! 

Da dificuldade que é para algumas pessoas o conceito de viver em sociedade....

Já outrora aqui falei sobre o facto de viver num prédio e de todos os dissabores que isso acarreta, nomeadamente ouvir o vizinho do lado na WC, a vizinha de baixo em pleno acto sexual, ou mesmo a criança de cima que chora, como todo e qualquer bebé, independentemente das horas, como se ambos estivessem metidos dentro da minha casa. Eu ouço-os a eles da mesma forma que eles me hão-de ouvir a mim. Vivemos num prédio que, ainda que novo, não deve ter ficado a dever muito aos bons isolantes. Quando comprei casa saberia que ia ser assim. Por um lado a sensação de nunca se estar completamente sozinha e por outro um quase estado de invasão de propriedade com que se habitua a viver até que o mesmo se torne indiferente.

Eu nunca reclamei com ninguém acerca destas situações, a meu ver naturais, como julgo que nunca ninguém tenha reclamado do barulho que possa existir em minha casa.

Até aqui tudo normal. Agora, o que não é mesmo nada normal passa-se na parte exterior da casa: já por três ou quatro vezes cheguei ao carro e tinha lá bilhetes de vizinhas (são sempre elas) que se sentiram incomodadas com o local onde estacionei o carro, mesmo que por breves minutos e até mesmo quando o mesmo não está a impedir o acesso a nenhuma garagem. Segundo elas, o facto do meu carro estar estacionado num local que é "terra de ninguém", mesmo junto ás garagens delas, dificulta-lhes a vidinha quando chegam a casa. Ou porque não conseguem meter o carro à primeira na garagem, ou porque tiveram que se desviar 10 centímetros do circuito diário normal ou até mesmo porque apenas acham que não. Que ali não é lugar para estacionar carros!

Depois, o mais engraçado ainda é o conteúdo dos próprios bilhetes: que não se responsabilizam se me derem um toque, que tenho que ter atenção, que isto, que aquilo... 

O último episódio aconteceu ontem. cheguei ao carro e lá estava ela... uma linda declaração da minha vizinha. Por sorte, ou azar, a mesma estava na garagem com o portão aberto. Viu-me chegar ao carro e a ler o bilhete e de imediato veio ao meu encontro. Que não, que assim não pode ser, que trazia compras e tinha que meter o carro na garagem. Pedi desculpas, ainda que ache que não as tinha que pedir, e expliquei gentilmente à senhora que deve ser implicância dela comigo, porque nunca nenhum outro vizinho me chamou à atenção e que além disso o carro dela estava na garagem sem nenhum risco. Nem o dela nem o meu. Aqui toquei-lhe no ego... que teve que fazer não sei quantas manobras, que puxa para aqui, empurra para ali... Na verdade a entrada da garagem dela estava totalmente livre, o meu carro não estava a ocupar 1 cm sequer. A diferença é que a senhora teve que fazer a curva mais apertada. E isso a ela custou-lhe horrores.

Ás páginas tantas, já o marido, calado até então, lhe dizia para ela ir embora que eu até já tinha pedido desculpa e ela insistia... Que era uma falta de respeito, que eu não podia deixar ali o carro, que não se responsabilizava. Eu calada. O marido a mandá-la calar. Ela a dar-lhe forte e feio. Assim se passaram uns bons 10 minutos.

Só tenho pena que estas pessoas se esqueçam de deixar o carro na garagem, quando  a têm, o que infelizmente não é o meu caso, e o coloquem nos únicos poucos lugares que existem para quem não tem garagem. E isto foi efetivamente a ultima coisa que lhe disse antes de virar costas.

Viver em sociedade não é para todos e ver uma barriga para além da nossa, ainda menos!!!

1.2.14

É tudo, por agora...

As senhoras que fazem limpeza no local onde trabalho, não obtante o facto de entrarem as 5 da manhã, fazem a limpeza maquilhadas e de saltos altos!!!

Haja vontade e coluna que aguente!!!

30.1.14

Notas soltas #1

Porque será que alguns dos meus amigos insistem em sugerir que eu coloque no FB o meu local de trabalho?! Se eu o quisesse fazer, não seria necessário sugerir!!!
Agradeço a intenção, mas não estou para aí virada!

16.1.14

Das coisas que a {matur}idade nos dá...#2

O poder de decidir, até determinada instância, quem queremos ou não na nossa vida;

A capacidade de não permitir que essas pessoas nos influenciem negativamente;

A liberdade de escolher, de fazer, de pensar e, acima de tudo, de dizer;

A oportunidade de poder errar e recomeçar, uma e outra vez;

A ousadia de ser diferente e de fazer a diferença;

A construção de um castelo com todas as pedras que fomos recolhendo ao longo do caminho;

Permitir que o sonho continue a comandar a vida!!!




O meu dia de Cinderela...

Passamos a vida a sonhar com o Príncipe encantado.

Não é necessário fazer nenhum esforço retrospetivo, ao mais ínfimo das nossas memórias de infância, para nos recordarmos de que essa personagem foi o responsável por salvar a Cinderela. Assim, sempre tivemos presente de que um dia havíamos de precisar de alguém que nos salvasse e que essa pessoa seria, nem mais nem menos do que o Príncipe Encantado. E, se esse salvamento fosse o resultado de um beijo, tanto melhor, até porque ninguém se lembra que o salvador pudesse ser alguém gordo e feio.

Bem, ontem tive o meu momento de Cinderela!!!

Depois de mais de DUAS horas de clausura, heis que ele apareceu. Não vinha em nenhum cavalo branco, mas vinha disposto a me salvar, afinal isso é que era o importante!!!

O beijo deu lugar a uma força máscula e a capa de Príncipe foi substituída por um fato de treino. Ao invés do chapéu tinha uma valente careca descoberta, apesar do frio que se fazia sentir. Também não era um homem musculado, mas era alto. E tinha conhecimento e tinha força. E, naquele caso, a força era quase tanto quanto bastava.

Não era o Príncipe dos sonhos de nenhuma mulher, mas percorreu mais de 200 Kms para me libertar e isso, naquele momento, fez-me completamente cega para a ideia que tinha de um libertador da magia encantada da infância.

Assim, aos duzentos e muitos dias do alto dos meus trinta e três anos, tive o meu dia de Cinderela e, a juntar a isso, tive ainda o dia em que desmistifiquei o verdadeiro Príncipe Encantado.

Em abono da verdade, tenho que dizer que, ainda que lhe fique eternamente grata, preferia ficar na ignorância quanto à fisionomia de tal figura.

Se nós só vivemos uma vez, enterro aqui a esperança de ser uma verdadeira Cinderela porque não posso nem quero correr o risco de, a existir uma próxima vez, ser salva com um beijo de tamanha personagem.

Aqui jaz um sonho de infância....




Eu já... #1

... fiquei presa DUAS horas num elevador!