30.10.12

Shame on me...


Não sou pessoa de gostos requintados no que toca à leitura. Leio o que gosto. E aquilo que gosto mesmo é de um qualquer texto, ou livro, ou reportagem, ou até de uma entrevista que me prenda. Do início ao fim, ainda que na parte inicial, e quando vejo uma panóplia de caracteres à minha frente, o meu primeiro pensamento vá direitinho para uma leitura diagonal da coisa. Depois, a fluidez de quem escreve, os sentimentos escarrapachados em cada palavra, a alma que se prende sem saber, a complexidade escondida em cada letra, os fragmentos materializados pelas letras, tudo isso, me faz deixar de lado essa vontade inicial de leitura fugaz e deliciar-me com palavras que, de uma ou de outra forma, me tocam. Ou porque nelas acredito piamente. Ou porque poderiam ter sido escritas por mim. Ou porque me revejo em cada detalhe. Ou porque concordo. E até porque não concordo. Mas, no meio de tanta dualidade  e exactamente motivado por ela, existe algo que me prende. Que me faz querer ler sempre mais e mais e mais. 

Há, por essa internet fora, textos muitíssimos bem escritos. Sobre a vida. Sobre as banalidades do dia a dia. Mas que nos tocam. Mas que nos fazem prender a atenção.

Depois existe os outros. Puras lamechices. Coisas sem sentido. Para parecer bem. Ridiculas. Exposições parvas. Mas... também esses eu leio. Não encontro justificação mas... a verdade é que tendenciosamente tenho uma veia sátira que me leva lá. Onde sei que não há conteúdo. Nem bom nem mau. De uma forma totalmente consciente sou presença frequente nesses "lugares" tão cheios de vazio. Tão cheios de nada. E leio. Porque me apraz pensar que pessoas tão vazias de conteúdo existem só escondidas atrás de um qualquer monitor, quando na realidade elas andam por aí, no meio de nós!!!!

Arrumações...

Quando temos "as coisas" devidamente arrumadas nas gavetas para as quais foram feitas, a vida corre muito melhor. A paz que se sente é infinita. Dorme-se a noite toda com a sensação de dever cumprido. Sem sobressaltos nem tão pouco pesadelos. O dias começam melhor, ainda que de negro se vista o céu. Cada dia, não é apenas mais um dia. É o dia. O dia em que vivemos com as nossas arrumações feitas e enterradas. Cada dia é tempo de tocar em frente e seguir viagem sem olhar para trás. 

Quando tudo se encaixa de forma quase perfeita, nessa altura a plenitude deixa de ser apenas uma palavra no dicionário da vida e passa a ser tão real quanto real é a saudade, esse fado de que nós portugueses somos feitos.

A vida, ah essa, segue o seu rumo. Não pára. Não dá margem para repensar as arrumações. Porque assim tem de ser. Porque assim queremos que seja. 

E, depois de tudo devidamente empacotado, é tempo de sorrir. E de querer viver mais e mais... Muito mais!!! A vida não espera por nós... não vamos também nós esperar por ela!!!

26.10.12

Das {poucas coisas} que me fazem gostar do inverno...

- Chegar a casa, gelada na maior parte das vezes, e ter à minha espera o conforto que só a minha casa tem;
- Chegar a casa e ter um pijama quentinho à minha espera;
- Poder adormecer a ouvir a chuva a bater na janela;
- Beber um chá fumegante que me aquece a alma e o coração;
- Apreciar uma bela taça de vinho tinto;
- Acender a lareira... vá, aqui confesso que passo a parte de acender, prefiro o usufruto da mesma;
- Calçar umas meias bem quentinhas, afinal... se os pés estiverem quentes todo o corpo vai estar;
- Enrolar-me numa manta felpuda e por lá ficar;
- Dormir abraçada, sem medo que o calor me faça destilar (e como eu adoro dormir abraçada...);
- Colocar na cama o meu edredon com as capas mais giras de sempre;
- Acender as velas que perfumam a minha casa ao mesmo tempo que lhe conferem diversos pontos de luz;
- Usar a abusar dos meus lenços e dos meus cachecóis;
- O calor humano... que me aquece e me alivia... que me conforta e funciona como o meu porto de abrigo!!!

Das histórias de vida... ou das vidas com história...

Uma das grandes vantagens da tua história de vida é que consegues perceber nos outros, à distância, histórias que viveste na primeira pessoa...

Consegues decifrar cada código que se vislumbra no horizonte. Pequenos sinais que para os outros não passam de meras casualidades;

Consegues entender o sentido mais infinito das palavras que são ditas no silêncio de um olhar; Das respirações que se fazem mais ou menos compensadas dependendo do assunto de que se fala;

Consegues alcançar o que de mais profundo uma frase deixada "cair", ou publicada com sentido, possa querer significar;

Consegues captar o cheiro que paira no ar, o cheiro a história que se faz de cada um de nós;

Especulas, é um facto, mas na verdade sabes que a história existe e é real. E que por esse motivo, mais do que não seja por esse motivo, a história passa a ser simplesmente isso, a história. E não a tua história como durante tanto tempo pensaste!!!

E, no dia em que isso para ti é tão claro, tão perceptível, tão evidente... bem, nesse dia compreendes, que há por aí muitas vidas que se fazem com a mesma história e que por isso, não há só histórias de vida, mas também vidas com história, e que isso sim, é um denominador comum a todos!!!

24.10.12

♫ Depois ♫


"Depois de sonhar tantos anos (...)
(...) Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também (...)
Depois de varar madrugada
Esperando por nada (...)
(...) Quero que você seja melhor

Hei de ser melhor também (...)

Depois de aceitarmos os fatos (...)

(...) Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também (...)"


Calha assim...

Uns dias calha melhor do que outros, é um facto. Mas vai calhando... Com mais ou menos sol.... Com mais ou menos raiva... Com uma maior ou menor compreensão e entendimento. 

Vai calhando consoante vai sendo possível. E é isso que nos vale. 

Calha assim porque esta é a forma que julgamos mais eficiente e mais eficaz. Umas vezes acertamos mais, noutras nem tanto. Mas... não será mesmo assim a vida?! Um conjunto, por vezes desorganizado, de "calhas" e de casualidades???

E, por vezes, as coisas simplesmente calham assim porque é decisão nossa que dessa forma seja feito. Para o bem e para o mal...

16.10.12

Noites de Inverno

Uma das coisas que mais aprecio no Inverno, em detrimento do verão, são os serões de amigos em casa.

Enquanto no verão os encontros se fazem numa qualquer esplanada, a fazer a fotossíntese na maior parte das vezes, ou então nas outras a aproveitar as maravilhosas noites de verão (que este ano não foram tão maravilhosas assim), apreciando um daqueles petiscos que só no verão fazem sentido e uma bebida ou outra mais fresca, como se assim nos refrescasse a alma...

No inverno, pelo contrário, estes encontros fazem-se em casa. Aconchegados por um aquecedor, ou por uma lareira acesa, contemplado o fogo que nos aquece essa mesma alma que se refresca nos serões de verão.

No inverno os serões regam-se com um belo vinho tinto, com um experimentar de "especiarias", como se de um concurso de melhor chefe de cozinha se tratasse.... Inventam-se e reinventa-se entradas transformadas em prato principal. Apenas não se aposta muito na sobremesa, até porque esta funciona como presságio do fim, e esses serões nós não queremos que acabem, ainda que terminem a altas horas da madrugada!

No inverno, ainda que com gelo lá fora, a casa de cada um de nós, dos que nos encontramos nessas noites frias, permanece sempre quente. Os casacos, gorros, cachecóis e afins, tiram-se à entrada e só se voltam a utilizar noite dentro...

No inverno, nas noites de amigos e com amigos, a conversa flui normalmente, nunca faltando o assunto nem o tema. Nessas noites esquecemos (bem, ou tentamos esquecer) o mundo lá fora e tudo acontece lá dentro...

No inverno, acercamo-nos de uma mesa, que se faz de jogo e, entre uma cartada e outra, recordamos o que de bom e menos bom aconteceu na semana que finda.

No inverno, nas noites geladas, onde o cheiro a lareira emana no ar, da mesma forma que o fumo que delas saí invade o céu, que se rasga de branco no meio de um azul profundo, rimo-nos como se não houvesse amanhã. Rimo-nos de tudo e de nada. Com e sem motivo. Rimo-nos porque também esse riso é responsável por nos gostarmos tanto e por apreciarmos desta forma a presença de uns em casa de outros.

No inverno, nos serões de amigos que se fazem de inverno, recuperamos forças que no verão o sol nos dá!!!

Eu... {a conta gotas}



Adio, como quem adia a ida para a forca, o dia em que mudo de sandálias para botas. Um dia o dia chega... e hoje ainda não é o dia!

15.10.12

Confesso...

... que já tive mais vontade do que a que tenho agora de escrever....
... que a escrita só já funciona como um escape por vezes...
....que me aborrece quem cá venha sistematicamente à procura de algo (que não vai encontrar, porque já o disse que não o fazia)...
...que...
É isso... e um pouco mais....

11.10.12

Eu... {a conta gotas}

Não gosto... de pessoas que digam "eu também", ao invés de manifestarem a sua opinião de forma sustentada, de assumirem o que pensam e o que sentem.


2.10.12

Eu... {a conta gotas}

Guardo no congelador de casa da minha mãe a melhor e a pior recordação de há 4 anos atrás... Do dia mais longo e ao mesmo tempo mais curto da minha vida... De um dos dias mais felizes e simultaneamente dos mais tristes de sempre...



1.10.12

E aquilo que me fazia mesmo mesmo falta...

... era um dia de sol, como o de hoje, depois de uma semana de chuva. Lá fora e cá dentro!


Simplesmente porque...

Tristezas não pagam dividas...
E porque ás vezes basta "matar" alguns monstros que nos atormentam... e as coisas, por si só, hão-de voltar à normalidade.
Basta esperar... e fazer acontecer!!!!!