Não sou pessoa de gostos requintados no que toca à leitura. Leio o que gosto. E aquilo que gosto mesmo é de um qualquer texto, ou livro, ou reportagem, ou até de uma entrevista que me prenda. Do início ao fim, ainda que na parte inicial, e quando vejo uma panóplia de caracteres à minha frente, o meu primeiro pensamento vá direitinho para uma leitura diagonal da coisa. Depois, a fluidez de quem escreve, os sentimentos escarrapachados em cada palavra, a alma que se prende sem saber, a complexidade escondida em cada letra, os fragmentos materializados pelas letras, tudo isso, me faz deixar de lado essa vontade inicial de leitura fugaz e deliciar-me com palavras que, de uma ou de outra forma, me tocam. Ou porque nelas acredito piamente. Ou porque poderiam ter sido escritas por mim. Ou porque me revejo em cada detalhe. Ou porque concordo. E até porque não concordo. Mas, no meio de tanta dualidade e exactamente motivado por ela, existe algo que me prende. Que me faz querer ler sempre mais e mais e mais.
Há, por essa internet fora, textos muitíssimos bem escritos. Sobre a vida. Sobre as banalidades do dia a dia. Mas que nos tocam. Mas que nos fazem prender a atenção.
Depois existe os outros. Puras lamechices. Coisas sem sentido. Para parecer bem. Ridiculas. Exposições parvas. Mas... também esses eu leio. Não encontro justificação mas... a verdade é que tendenciosamente tenho uma veia sátira que me leva lá. Onde sei que não há conteúdo. Nem bom nem mau. De uma forma totalmente consciente sou presença frequente nesses "lugares" tão cheios de vazio. Tão cheios de nada. E leio. Porque me apraz pensar que pessoas tão vazias de conteúdo existem só escondidas atrás de um qualquer monitor, quando na realidade elas andam por aí, no meio de nós!!!!

