30.12.11

2012



Porque, para mim, a viragem do ano não implica o início de nosvos projectos nem o começo do cumprimento de determinadas promessas.

Porque, para mim, o dia 1 de Janeiro não é a 1ª página de um novo livro.

Porque instrospecções as devo fazer sempre que assim o entender.

Porque muda o ano e eu continuo a ser a mesma, com os mesmos projectos, com os mesmos objectivos, com as mesmas pessoas.

Ainda assim, e apenas porque é cliché... Um ano de 2012 recheado de coisas boas!

Porque nunca uma frase (me) fez tanto sentido...

O vazio...

Chegar. Olhar. E ver... O vazio. Apenas isso. Um enorme vazio.

No peito transforma-se a visão em sentimento.

E na memória, quase que em flash, revivem-se os momentos da conquista de todo um "império" que começou do zero. Duros. Feito com muito trabalho. Muita dedicação. Muita privação. Muitas mãos amigas.

É o fim. O fim de um novo princípio... há muito aguardado. Mais do que merecido...

29.12.11

Gosto TANTO disto...

Sobre as pessoas...

Sou capaz de apostar, quase ás cegas, que existe um qualquer estudo científico (afinal existe sempre um estudo científico para tudo) que comprova a enorme capacidade que as pessoas têm para tratar menos bem as pessoas que estão mais próximas.

E eu, que não sou de todo a excepção que contraria a regra, também o faço. Sou muito mais exigente, respondo, por vezes, de forma muito menos agradável, chateio-me (e chateio) mais, sou muito menos condescendente, 

A verdade é que, em muitas vezes, o meu nível de tolerância para com as pessoas de que gosto e que me estão próximas é assustadoramente baixo. Da mesma forma que me incomoda muito mais qualquer tipo de atitude que essas mesmas pessoas tenham para comigo. Qualquer forma menos assertiva que utilizem para falar comigo. Qualquer indiferença que possam demonstrar. 

E, apesar de não achar, de todo, que "isto" é um defeito, a verdade é que, por vezes, em determinadas vezes, um pouco mais de compreensão não me fazia mal nenhum. Nem a mim, nem aos outros!

28.12.11

E um dia vou acreditar quando o digo....

Um pouco (mais) de mim...

Existem coisas que realmente me dão um gozo incrível... A minha "solidão", contida, mensurável e, por vezes, controlada, é uma dessas coisas.

Aprecio imenso os meus momentos. Aqueles em que, num silêncio por vezes assustador, me consigo reencontrar. Agradam-me imenso os momentos em que sou só eu. Fechada para o resto do mundo. Em que leio os meus livros. Em que vejo os meus filmes. Em que observo a lenha a queimar lentamente enquanto bebo um chá fumegante. Em que navego, sem destino, pela net. Em que oiço os meus pensamentos. Em que imagino. Em que sonho acordada...

Gosto, ainda, daqueles momentos em que ando, por aí, sozinha, ainda que numa rua cheia de gente. Por vezes sem rumo. Em que aprecio quem passa. Imagino a vida que têm. O que fazem. Se são felizes.

Dou muito valor aos outros momentos, bem mais raros, em que vou a um café. Sozinha, com um livro na mão, e um relógio que apenas enfeita o pulso. Sem horas de partida. Sem compromissos. Apenas com uma sede imensa de tantas vezes apenas olhar e nada ver.

São os meus momentos, estes momentos, que me permitem recarregar energias, renovar esperanças, voltar, por vezes, a acreditar.

27.12.11

Gosto...

...a capacidade que, por vezes tenho, de me reinventar, de me surpreender, de me reorganizar, de me reorientar, de me reapaixonar... pelas coisas, pelas pessoas!!!!

E por agora é mesmo só isto!!!

Manias....



Eu, na minha pele de verdadeira dona de casa, faceta que na realidade não me seduz muito, sou uma pessoa de manias... (como isto não me soa muito bem penso e repenso e chego a uma brilhante conclusão: eu sou uma pessoa de manias em tudo na minha vida!!!)

Existem determinadas coisas que só me correm bem se as fizer exactamente de uma determinada forma.
( Aliás, se as fizer de outra forma se calhar também correm bem, mas eu nem ouso tentar fazê-lo)

Gosto, por exemplo, de limpar a minha casa sempre pela mesma ordem: começar no quarto e terminar na cozinha;

Gosto de ter a minha roupa (des)arrumada sempre pela mesma ordem;

Gosto de dobrar as coisas exactamente da mesma forma, sempre;

Gosto de estender a roupa sempre pela mesma ordem: a decrescente de tamanho das peças;

Mas, umas das manias mais manienta de todas é a forma como estendo a roupa: sou incapaz de, numa mesma peça, colocar 2 molas de cores distintas...E, se por acaso, alguma alma caridosa me ajuda nesta árdua tarefa, de imediato eu alerto para este facto.

Sempre ouvi dizer "cada parvo com as suas manias" e eu sou "só" mais uma!!!

Nem mais... nem menos*...



* Pensando bem apenas acrescentaria uma coisa: outras nem isso têm!!!

20.12.11

*Magia*


E, está mesmo quase quase a chegar aquela que é, para mim e desde que me lembro, das noites mais mágicas do ano...

Em casa da minha avó o Natal sempre teve uma magia especial (se é que tudo o que é mágico não é por si só especial).  Mais do que a habitual troca de prendas é toda a envolvência à volta desta noite que lhe dá esse sabor. 

É a preocupação da minha mãe com o que se come. É a preocupação da minha avó de ter a casa cheia, de quem dorme onde, como se isso tivesse alguma importância. São os telefonemas que abundam. É a despreocupação da minha tia com tudo. E é, sempre foi, a nossa preocupação em fazer com que o natal em casa da minha avó se confunda com o carnaval. Em que nos rimos. Nos divertimos. Pregamos partidas. Choramos. Nos chateamos. Tiramos fotografias. E ficamos acordados noite dentro. Sempre. Até sempre. Até enquanto durar a existência desta pessoa que todos os dias perdemos um bocadinho. Porque só com ela faz sentido. 

E eu, se andasse distraída com o calendário, a minha mãe faz questão de me recordar , t-o-d-o-s-o-s-d-i-a-s, que está quase a chegar. "E ainda me falta isto, aquilo e o outro" "e já comprei isto e aquilo" "e o que achas de fazer assim ou assado" "e...".

Porque é mesmo assim que nós vivemos o natal. Intensamente. Profundamente. Ao máximo. A aproveitar cada minuto. Porque o Natal, para nós, é isso mesmo!!!

E, porque o prazo é limitado, vamos continuar a vivê-lo dessa forma. E a aproveitar para, nessa noite e nesses 2 dias, recarregar baterias. Junto daqueles que não escolhemos mas que serão para sempre nossos... Os únicos e verdadeiros!!!

Será que há?!!!

Das coisas que me fazem confusão #7

No caso não se trata bem das coisas que me fazem confusão, mas sim das pessoas...

Das pessoas que vivem a sua vida {não vivem, no caso} em função e em prol do que os outros pensam, ou possam pensar. Das pessoas que deixam de fazer x, y ou z por imaginarem que isso possa dar aso a conversas sobre a sua pessoa. E depois, de peito aberto, ainda colocam, ou se identificam com frases do género "se forem falar mal de mim chamem-me, sei coisas terríveis a meu respeito" ou "sempre que alguém falar mal de ti pelas tuas costas é sinal que tu estás à frente". Tudo muito bonitinho, tudo muito xpto, mas na verdade tudo muito limitado. 

Eu, que não posso dizer que sou totalmente imune ao que possam falar a meu respeito, porque tal não corresponde à realidade, estou-me pouco a borrifar para isso. E não deixo de viver a minha vida, nem de fazer o que quero e posso, "só" porque os outros podem dizer alguma coisa. Só porque isso pode alimentar e aguçar a curiosidade dos mais desocupados. Era só o que me faltava.

No entanto, e infelizmente, há quem o faça. Quem permita que as conversas de quem nada mais tem para fazer, atrapalhe a sua vida. Quem, talvez, arranje nisso uma desculpa...

E, um dia, este post tinha que sair... Hoje foi o dia! Independentemente do que os "outros" possam pensar...

19.12.11

Sobre a escrita...

Diz-me uma grande amiga minha "tens que escrever mais. Todos os dias vou e fico triste quando não tens coisas novas, ou então são só imagens, só imagens". E eu, meio sem jeito, lá lhe confesso "sabes, por vezes apetece-me, mas nem sempre sei o que hei-de escrever. Falta-me tema. Ou coragem". E ela, como querida que é, lá me cala uma vez mais "escreve sobre qualquer coisa. Tu escreves bem sobre tudo, portanto não há-de ser difícil...". Coro, obviamente, e tento prometer-lhe que o vou fazer mais assiduamente. E, entre um copo e outro, entre uma jogada e outra, lá cruzamos olhares e sorrisos marotos, pensamos que "aquilo" dava um bom tema. Mesmo que "aquilo" não seja nada de especial. Como tantas vezes acontece...

E depois ainda acho que ela tem uma razão brutal sobre a escrita, não a de que o sei fazer e de que as palavras me saiem fluentemente. Mas sim a de que a escrita é, efectivamente, a minha melhor terapia. E, porque nestes dias dá um jeito do caraças, a que me saí mais barata!!!!
Assim, com mais tema ou menos tema, com maior ou menor interesse, cá continuo eu. E hei-de continuar "até ver". Porque são mesmo assim as coisas nesta vida... Até ver... Ou até onde as queremos ver...

Mushroom* um dia destes ainda te fartas de me ler e depois eu tou para ver....

Um dia destes vou à bruxa...

Ou então mando-me benzer...

Desde que me lembro de ser gente, é o ano em que mais vezes me constipei. Ou melhor, em que a constipação mais tempo durou... E o meu estomago, fraquinho que só ele, já não aguenta tantos medicamentos.

Portanto, e porque soluções milagrosas, aka remédios caseiros, não me tocam nas tabelas, resta-me render ao oculto.

Quiçá me safe melhor!

16.12.11

Porque deveria de ser mesmo assim...

Sobre a idade....

Diz por aí, a sabedoria popular, ou quem acha que a tem, que as pessoas são como o vinho do porto, ou seja, quanto mais velhas melhor.

Eu, que sempre achei esta teoria uma verdadeira treta começo, cada vez mais, a dar a mão à palmatória... 

A verdade, verdadinha, é que me sinto muito melhor agora do que há 10 anos atrás. Melhor comigo própria. Melhor com os outros. Melhor com o Mundo. Talvez não tão "crescida" quanto o desejável. Talvez muito menos "certinha" do que o aceitável. Mas, em boa verdade o diga, muito mais segura. Muito mais decidida. Muito menos cabisbaixa.

Aquilo que para mim antes tinha importância continua a ter, se bem que aprendi, ou a isso fui obrigada, a relativizar a importânica que agora lhes atribuo.Sofro menos com algumas coisas e bem mais com outras. Continuo a não ser indiferente, mas encaro muito melhor.

Continuo a ter os mesmos sonhos, mas objectivos diferentes. Nem melhores, nem piores. Apenas diferentes.

Continuo a sentir com a mesma intensidade, mas a saber prioritizar o que efectivamente merece, ou não, tamanha exuberência.

E, o melhor de tudo, posso ser adolescente e voltar a ser adulta...

Gosto muito mais de mim hoje do que gostei há uma série de anos atrás. E espero amanhã gostar ainda mais...

15.12.11

Sobre a falta de jeito...

... que eu tenho para tudo o que sejam trabalhos manuais. Não gosto de a ter, mas é muito mais forte do que eu. Sou aquilo que na gíria se chama uma verdadeira "aldrabona". Ele é cola por todo o lado, é dobragens do mais mal feito que há, é a impossibilidade de cortar uma folha a direito. 

Vejo coisas giras, fáceis de fazer mas e então... a falta de aptidão é mais do que muita. Ainda hoje, quando olho para o sem número de coisas que me passaram pelas mãos, numa determinada altura, fico estupefacta com tamanha (im)perfeição. E sim, sei que tive algumas mãos amigas a ajudarem-me mas, quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré, sempre ouvi dizer. 

E, tenho mesmo muita pena que assim seja. Que eu assim seja. Porque ideias é coisa que não me falta, já colocá-las em prática é coisa bem difícil!!!
Assim, resigno-me aquilo que é mais do que evidente. E vou desenrascando no que é estritamente necessário. Quanto ao resto... bem, o resto é assim "o importante não é saber, é ter o número de telefone de quem sabe" e eu, felizmente, tenho uma agenda com muitos muitos números!!!



Sobre os outros dias....

E depois, bem depois também existem os outros dias. Em que tenho vontade. Em que estou motivada. Em que acredito. Em que quero continuar a acreditar. Em que me despreocupo e me descomplico. Em que vejo mais além. Em que consigo ver mais além. Em que leio nas entrelinhas. Em que tenho uma imensa vontade de recomeçar...

E, recomeçar é, cada vez mais, uma realidade.

Próxima. Muito próxima. Por vezes assustadoramente próxima. Mas, em dias como os de hoje, quero que chegue. De fininho. E que só me traga coisas boas! Porque... eu também mereço!!!

13.12.11

Lemas de vida...

Super heróis...

Existem algumas pessoas que são verdadeiros super heróis. De carne, osso e coração. Que sentem. Por si e acima de tudo pelos outros. Altruístas como poucas. Generosas como só elas. Que fazem das dores dos outros, as suas próprias dores.

Tenho a sorte de conhecer algumas.
Quase todas mulheres.

A minha mãe é, sem sombra de dúvidas, uma delas.

Pessoas que se anulam em prol dos outros. Cuja vida só faz sentido quando as outras vidas, as dos que lhes são próximos, correm na sua plenitude. Pessoas que trabalham, muitas vezes de sol a sol, para proporcionar um vida melhor aos outros. Cujo coração bate pelos outros. Em função dos outros. Que se preocupam. Que não dormem. Que não descansam enquanto não existir "um sinal".

Também tenho uma grande amiga assim..

Deixou tudo em busca de 2 sonhos. Um vingou, o outro nem por isso. Malas ás costas, para um novo continente, cuja única pessoa que conhecia faz parte do sonho que não vingou. Foi sem receio. Deixou para trás tudo o que tinha e levou apenas um amor maior consigo. As horas de solidão, as saudades que teimam a aumentar, as muitas horas de distância, apenas lhe deram força para conseguir. Para provar a si, e não aos outros como tantas vezes acontece, que era capaz. "Saudades da minha gente" é a frase que mais a ouço dizer. E, a única que continua a justificar sempre as longas conversas. Como se justificação carecesse!!! E, sempre que regressa, leva consigo uma vontade ainda maior. De regresso. Á terra que a viu nascer. À terra onde estão as suas raízes. À terra das suas gentes. E sei que cada milha do voo que é "obrigada" a fazer é feita em lágrimas. E, dessas lágrimas nascem a preserverança e a vontade. De conseguir. Mais uns meses. Porque o fim justifica os meios. Ou não...

Tenho ainda uma outra amiga assim. Uma autêntica "super herói". Que se desdobrou num sem número de tarefas: a de mãe, a de esposa, a de estudante, a de amiga, a de trabalhadora e a de mulher! Perfeccionista que só ela. Dedicada e empenhada como poucas. Conseguiu. Continua a conseguir. Ás vezes com um sorriso nos lábios. Em outras, com os olhos rasos de lágrimas. O que perdeu? O tempo para escrever (n)um blog!!!!

Conheço ainda outras pessoas que arriscaram e continuam a arriscar. Por vezes, sem medir os prós nem os contras. Porque acreditam. Porque, mesmo que batam com a cabeça, continuam a acreditar. Algumas noutro país, outras com mais do que um emprego. Com mais ou menos saudades. Com maior ou menor ausência. Mulheres que lutam. Afincadamente. Por si e, acima de tudo, pelos seus!!!

E eu, um dia, também queria acreditar da forma que elas acreditam e, quem sabe, ganhar asas e voar....

6.12.11

Constatações #27

A idade dos porquês!

Quando somos criança e estamos na idade da inocência, questionamos situações e acontecimentos que não lembram a ninguém... Deixamos qualquer adulto de boca aberta e sem resposta possível... Preocupamo-nos em saber porque a terra é redonda, porque voa o papagaio de papel, porque a água é azul e não de qualquer outra cor... As respostas, essas nem sempre correpondem ás nossas expectativas e tantas vezes servem apenas para nos calar.

O tempo passa e deixamos de nos importar com coisas que se tornam "normais". Acomodamo-nos ao que desde sempre fez parte do nosso dia a dia, do nosso quotidiano. Sem mais porquês, porque afinal, a quem é que com mais de duas décadas de conhecimento interessa saber porque raio o sol brilha?!!!

Depois chega aquele maldito dia em que percebemos que afinal os porquês não ficaram arrumados na gaveta da infância e, como consequência disso, passamos a questionar o que para nós eram certezas indubitáveis.

Passamos a desconfiar de tudo o que se afasta da normalidade. Passamos a querer saber, sempre, os motivos, mesmo quando eles não existem. Porque nem sempre tem que existir um motivo!!!

Apesar de ser mais fácil pensar "é assim ou foi assim porque assim tinha que ser", não nos limitamos a isto.

E, por vezes, perdemo-nos numa busca incessante, completamente insatisfeitos com as respostas, quando poderiamos estar a aproveitar mais. A verdade é que nem sempre temos que compreender tudo. E que por vezes perdemos tempo desnecessário. 

Porque, sempre ouvi dizer que a vida são apenas 2 dias... E que só se vive uma vez!

5.12.11

Optimização de recursos vs Falta de respeito

Quando, depois de quase 2 meses a deseperar à espera da marcação de um exame a Srª me telefonou a confirmar a data e hora, eu quase que não queria acreditar que era já para "depois de amanhã".

Chegou ao dia e cumpri religiosamente o que me foi indicado "vá um pouco antes das 8h para se despachar rápido". Assim fiz. Por descarrego de consciência avisei no trabalho de que poderia chegar um pouco mais tarde, não fosse o diabo tecê-las. Na verdade eu acho mesmo que o 6º sentido das mulheres nunca falha. Esta foi apenas mais uma prova...

Depois de fazer a respectiva inscrição, em 1º lugar, há que frisar, sentei-me e esperei, exactamente como me foi dito. Passaram 30 minutos, 45, 1 hora, 1hora e 30,... Eu olhava para o relógio e só via o tempo a passar. Tudo na mesma. Excepto o número de pessoas que tinha aumentado. Eu, sentada numa cadeira já sem posição. Outros, com idade bem mais avançada que a minha, deitados numa maca, já a chorar. Porque as maleitas da doença não lhes permitem tanto tempo numa mesma posição. E os restantes, os técnicos, os enfermeiros, os auxiliares, completamente alheados do que ali se estava a passar. Mais do mesmo. Todos os dias.

Depois de me torcer e contorcer mais de uma centena de vezes resolvi ir perguntar. "Está mesmo quase", foi a resposta que obtive.

Depois de meia hora, de mais meia hora, eis que aparece o "senhor da bata azul". Arrogante que só ele. Chama o meu nome e dá-me um copo para beber. Na esperança de me despachar bebo rápido. Tão rápido que de imediata sou alertada "beba com calma porque ainda tem mais 5 iguais a este para beber". Desculpe? Como assim?! Sabe que tinha um exame marcado para as 8h e já são quase 11h???. Perante a minha admiração o "Sr da bata azul" responde, de forma bastante deselegante "Eu não tenho culpa se eu sou daqui e me mandam fazer outras coisas. Contenção de custos e optimização de pessoas, sabe como é".

Eles chamam-lhe optimização de recursos, eu chamo-lhe uma falta de respeito enorme por aqueles que precisam deles. Daquilos que eles são pagos para fazer.

Sem mais comentários possíveis!!!

Está quase...

E quando o está quase, está mesmo mesmo quase, o que sinto é um verdadeiro turbilhão de emoções e de sentimentos!!!

Uma paixão sem conta, peso e medida

29.11.11

Obrigada*

Quando agora abri este blog era para colocar um post diferente mas depois, como em muito pouca coisa na vida (infelizmente) existem factores muito bons que nos fazem mudar de opinião.

Como já escrevi e disse a quem me perguntou, tenho um blog porque sim, porque gosto de escrever e porque esta paixão pela escrita faz parte de mim desde que me conheço.

Dependendo dos dias e dos estados de espiríto assim eu escrevo. Sobre mim. Sobre os outros. Sobre tudo. Sobre nada.

Exorciso aqui as minhas "mágoas", as minhas saudades e, por vezes, o que me tira o sono.

Não utilizo o blog para chegar a ninguém. Felizmente algumas pessoas utilizam o meu blog para chegarem a mim. Não que haja necessidade de declarações, mas a verdade, em boa verdade, aquece-me o coração. E deixa-me muito feliz. Reconforta-me.  Porque me fazem ter certezas absolutas de que existem "coisas" e sentimentos que são mesmo para a vida.... E fazem-me sentir especial. Pelo menos para essas pessoas, que, não dando a cara dão o nome. E, ainda que não o dessem, eu saberia tim tim por tim tim quem eram...

Ler comentários como:

 "Nada acontece por acaso (...) porque aliás até temos muitos gostos em comum (...) Tenho saudade.. do teu sorriso, de conversar contigo, da tua presença, dos dias em que não sorris, de tudo o que me ensinaste, da oportunidade que me foi dada, das tuas repreensões, afinal fazem falta, assim como do teu elogio, (...), de apreender mais, CONTIGO. Obrigada por ter me teres permitido fazer um pouco parte de ti e da tua vida. És a melhor."

"Tenho inveja dos que podem estar contigo todos os dias..."

"E sempre que precisares estou aqui... "

"E se a ti te custou ao inicio acordar uma hora mais cedo a nós nos custou chegar lá e não ter vermos ou não termos a caixa de email cheia, sim porque até ai sentimos a tua falta... "

"Quando a saudade não cabe no peito, transborda nos olhos... "

"A distância pode causar saudades... mas nunca o esquecimento !!!!!!!! "

"Obrigada por tudo!"

"As vezes sinto falta...falta de ti, sempre. "

"É essa bomba...esse coração ao pé da boca..que te faz ser o que realmente és.. PERFEITA para mim <3 "

E estes são só alguns... E o meu coração, de ferro mas tamanho do mundo, transborda de felicidade. E penso, uma vez mais, que existem gestos, simples, muito simples, que dão outro colorido à vida... Os vossos gestos, transcritos nas vossas palavras, à minha vida!

Por todos estes motivos, ainda que se de motivos necessitasse, vejo-me na "obrigação" de vos deixar um obrigada muito muito grande. Para vocês, que são especiais, e sabem bem quem são!!!! E que o hão-de ser para sempre (haja o que houver)*****

Dez coisas que me fazem gostar muito de viver no Alentejo

1) Demoro menos tempo a fazer os 80 KMs que me separam do meu local de trabalho do que algumas pessoas que vivem ou trabalham num grande centro urbano demoram a fazer 1/10 destes!

2) Um café custa 0.60€;

3) O cheiro a lareira, que invade os céus, no Inverno;

4) A proximidade física: pouco mais de uma hora de Lisboa, o mesmo para Espanha, o mesmo para o Algarve e o mesmo para a (minha) Costa Alentejana;

5) O "é já ali", mesmo que o ali seja a alguns quilometros de distância;

6) Porque os miudos não crescem a achar que o leite "nasce" nos pacotes;

7) O pão alentejano. Não existe outro igual no mundo (e não sou só eu que o digo);

8) Porque se respira liberdade e se sente uma serenidade absoluta;

9) Porque se come mesmo muito bem;

10) Pela simpatia que transborda das gentes que aqui fez vida e pela forma de receber como não vi em outro local;

E depois...

 
E depois há comentários assim "Tenho inveja dos que podem estar contigo todos os dias... E isso faz-me tanta falta... " que são suficientes para me aumentar o ego e para me deixar muito feliz. Afinal não passámos só por passar. Deixamos um pouco de nós e levámos muito dos que se tornaram especiais. Também me fazes muita falta... Miss Y baby*****

24.11.11

Se o pai natal andar por aí...

... que fique a saber que estou muito necessitada disto:

E que a única condição que imponho é que funcione a vapor....

E até pode mesmo ser igual ao da imagem, ou seja, igual ao meu ex. Fomos muito felizes juntos durante anos mas agora, infelizmente, a nossa cumplicidade chegou ao fim :(.....

Quem espera desespera...

Só para vos recordar que continuo a aguardar...
E que um dia destes, na falta de um C muito grande, me armo em peixeira....
O tempo urge meus amigos e eu tenho prazo de validade!!!!

Ninguém é de ferro...

workaholic |uorcaólique|
(palavra inglesa)

Que ou quem é viciado no trabalho ou trabalha compulsivamente.

Diz a sabedoria popular que "no melhor pano caí a nódoa" ou então que "telhados de vidro todos nós temos".E eu, não poderia concordar mais.
A verdade é que eu sempre presei a minha liberdade após horário do expediente. Sempre deixei o trabalho no trabalho. Sempre defendi que quem não faz o que tem para fazer nas horas contratadas não é bom profissional. Mais, para além de sempre defender isso, tambem sempre o tentei incutir nos outros da mesma forma que sempre critiquei os que agiam de forma totalmente oposta.
O tempo passa, as responsabilidades crescem, e nós modificamo-nos.

Queremos provar (ainda que ninguém o reconheça) que somos capazes. Que estamos sempre online. Que no dia seguinte somos sempre melhores do que no dia anterior. A verdade é que isto é uma grande mentira, em que no fundo só nos engana a nós próprios.
Porque ao trabalhar por nós e pelos outros, ainda que os outros não sejam mais do que uma figura imaginária, ao querermos demonstrar que "aguentamos" este mundo e o outro, o maior mal que estamos a fazer é para nós próprios. Porque também a nossa corda parte. Também nós cedemos. Também havemos de chegar a um dia que o milagre da multiplicação (das horas do dia) é substancialmente diferente do milagre da multiplicação dos pães. 
Eu, que sempre afirmei que.... agora não existe uma única noite em que antes de me deitar a rotina não passe por ir "dar uma olhadela" ao email...  E o pior são as desculpas que sucessivamente arranjo para o fazer: ou porque tenho qualquer coisa pendente, ou porque o email pode encher, ou porque assim consigo organizar melhor o próximo dia, ou por isto, ou ainda por aquilo. E depois, quando desligo o pc penso... e acho que não o deveria ter feito, mas a verdade é que no dia seguinte tudo se repete... E, nem nas férias passo mais do que 2 dias sem "picar o ponto". E, ainda por cima, porque a minha função assim o exige, estou contactável 24 horas por dia....
Eu, que sempre afirmei que... levo trabalho para casa, adianto coisas, oriento outras....

Acredito que a empresa para a qual trabalho incute isto em cada um de nós. Porque é prática comum... Porque todos o fazem...
E um dia destes, a maior parte de nós terá que fazer uma desintoxição do trabalho... Porque existe vida para além do trabalho... Porque me pagam 40 horas por semana e nem mais um tostão.... Porque, volto a afirmá-lo, ninguém, absolutamente ninguém, é de ferro...

23.11.11

A minha vida numa cor #2

Constatações #23

Da capa de papelão...

Diz-se por aí que há quem tenha um coração de papelão. Porque é bonito de dizer (ou não). Porque soa bem. Porque faz parte de uma música romântica. Porque sim. Ou porque não...

Já eu, não tenho um coração de papelão, mas sim uma capa. Que, por vezes, me cobre completamente. Em outras, desfaz-se... qual papel quando apanha água...

Eu, que tenho a "fama" de durona, de má, de intolerante, de intranscendente. Eu, que, assumo, faço transparecer essa imagem. Que não dou muitas abébias a quem não conheço. Que não sorrio. Que sou de poucas conversas.

Mas eu, também tenho os meus pontos fracos. Também fico desarmada se a capa caí. Também choro (e muito). Também tenho os meus momentos muito maus. Também sou sensível. Também penso primeiro nos outros. Também preciso de uns braços para me apertem forte. Também preciso de um colo. Também preciso de um ombro para ficar aninhada. Também eu, quando a capa caí, sou humana... Mais humana do que muito boa gente que anda sempre com um sorriso rasgado na cara...

21.11.11

Do sangue que me corre nas veias....

Saudades Tuas.
E Tuas.
Partes integrantes do meu ser!!!!

A minha vida numa cor #1

Dos sabores de uma vida...


Da mesma forma que existem músicas que quando as ouço me recordo de um momento em específico da minha vida ou de uma pessoa, também existem sabores que me transportam para alturas exactas e não necessariamente aquelas em que "o" saboreei pela 1ª vez.

O Licor Beirão é um deles. Sempre que sinto um travo a licor beirão lembro-me imediatamente das noites loucas em Castro. Das loucuras que fazíamos, em que éramos uns inconscientes e chegávamos a colocar em risco a própria vida. Em que dançávamos até o sol nascer. Em que ríamos. Dizíamos asneiras. Conhecíamos toda a gente. Fazíamos parvidades.Éramos felizes.

O queijo frito é outro exemplo. Sempre que vou "aquele" restaurante faz parte dos meus pedidos obrigatórios. E, não sendo necessariamente igual, até porque o outro era assado, o sabor a queijo com orégãos leva as minhas memórias de imediato para terras de Vera Cruz. Lá, para o outro lado do Oceano. Lá, para onde eu queria tanto regressar.

Um outro exemplo é o sabor a Canela. E como eu gosto de canela... Em casa dos meus pais é esse o sabor das reuniões de família. Dos doces que a minha mãe tão carinhosamente faz. Das sobremesas que lhe nascem das mãos, com uma naturalidade impressionante, de quem nasceu para isso. Para adoçar a boca aos que lhe são queridos. Do gosto com que leva horas "agarrada aos tachos" só porque sim.... Do arroz doce que, nunca se esquece, ser uma das minhas sobremesas preferidas. 

E o sabor a linguiça assada lembra-me a casa da minha avó, mais concretamente o Natal. E o Natal em casa da minha avó é qualquer coisa.... Que não existem palavras para explicar. E que  todos sabemos estar em contagem decrescente...

Depois existe todo um sem número de outros sabores. Que me reavivam memórias. Me trazem a saudade. Me deixam melancólica. Um sem número de outros sabores que me definem. Enquanto pessoa. E enquanto gulosa inveterada...