4.11.11

Pela boca morre o peixe... e ás vezes nós também!

Isto de sofrer por antecipação é coisa que até então não me dizia quase nada. Sou mais de deixar andar. De "depois logo se vê". De viver  um dia de cada vez. Ás vezes no limite. Em outras na pacatez de uma imensa calmaria. De saborear cada momento. De aproveitar. De não pensar muito (em boa verdade de simplesmente não pensar) nos prós nem nos contras. Mas há um dia (há-de haver sempre um maldito dia) em que somos apanhados na curva. Em que começamos a pensar no depois e a sofrer por antecipação. Em que morremos pela boca, tal e qual como se de um peixe nos tratássemos....

Eu ando mais ou menos assim. E por isso já sinto uma falta imensa daquele lugar de que tantas vezes mal-disse. Que tanto me fez espernear. Que tanta solidão me causou.

Mas, não obstante tudo isto, cada vez que nos juntamos lá todos é impensável não pensar que já estamos em contagem muito decrescente. Que falta muito pouco tempo. Que mais meia dúzia de vezes e depois cada um vai ás suas vidas.

Porque a cumplicidade que se cria, as asneiras que se fazem, as partidas que vamos pregando uns aos outros, o piri piri ás carradas, os bolos desfeitos, as gargalhadas, o stress, e tudo o resto, são coisas que fazem os nossos dias (as noites, para ser sincera) muito melhores.

Os jantares fora de horas (quando sobra alguma coisa para jantar e sítio para o fazer), as restrições que eu imponho de quem pode, ou não, entrar naquele espaço de 3 metros quadrados de que me fiz proprietária, o meu nome dito mil vezes, 999 das quais a gritar, o milagre de esticar quando vemos que está mesmo no limite, os "calmas" que alguém faz questão de repetir até à exaustão, a rotina. Sempre a mesma rotina. Sejam 10 ou sejam 100. Para nós já é igual. De olhos fechados. E corre sempre tudo bem. Porque nos empenhamos. Porque no fundo todos gostamos daquilo e todos vamos ter saudades.

E, até ao fim, até ao último dia, este será sempre o nosso tema de conversa. Está quase. E, enquanto o quase vai durando, o melhor mesmo é abrir outra garrafa de vinho. Branco. Sempre branco. Fresco. Sempre fresco. E esperar. Esperar enquanto a música vai tocando bem alto (tão alto por vezes). E enquanto eles, alheios à nossa "dor", se vão divertindo. Porque é para isso que lá estão. E nós também.
..

1 comentário:

Anónimo disse...

Quando a saudade não cabe no peito, transborda nos olhos...