26.3.12

Porque está entre os melhores dos que vi ultimamente*....


Intenso, profundo,  de invulgar leveza e paz , uma busca que nem todos conseguem, uma busca que não é para todos... "Ilustra de forma brilhante, o sofrimento, a revolta, a recusa, o bloqueio face à perda do Pai ou da Mãe. É uma realização surpreendente que nos ajuda a compreender, lidar, exorcizar o sofrimento e olhar em frente"

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." 

* Que ainda foram largas dezenas.

Sobre o que é viver...

 
"...E nessa vida cheia de altos e baixos, de profundas tristezas e grandes felicidades. Nessa vida onde há tantas perguntas para tão poucas respostas. Em meio a tanto vai e vem, só lhe digo que nessa vida é preciso esquecer de algumas coisas para se viver bem. É preciso ter força e não deixar a fé de lado, e quem sabe até guardar lembranças do que foi bom e que marcou seu passado. Viver é ter boas companhias e procurar razões para sorrir. Viver é regar a felicidade e fazê-la florir..."

21.3.12

Sou uma pessoa de hábitos fáceis....

Das lembranças {novamente}...

Sou uma romântica por natureza, portanto uma pessoa presa ás recordações. Não faço delas o meu pão do dia a dia, mas alimentam-me em muitas alturas. 

Não raramente acontece uma música, uma imagem, uma palavra, um cheiro, fazerem-me recuar no tempo. Para um momento em específico que, mais ou menos consciente, ficou preso nas amarras da memória.

Ontem à noite foi assim. Deitei-me e, no meio do silêncio que reinava, começo a ouvir, ainda que timidamente, um tic tac que se fazia ouvir. E de imediato, quase mais rapidamento do que a velocidade da luz, sou transportada para casa da minha avó. Retrocedo mais de 20 anos e recordo aquele som ensurdecedor que o relogio a corda emanava, nas noites de profunda calmaria. Recordo-me das noites em que o meu avô ia dormir para o outro quarto para que a minha avó me fizesse companhia durante a noite, e em que eu ficava a contar todos os "tics" e os "tacs" até que o sono chegava e me embalava para o mundo dos sonhos. Recordo, inevitavelmente, o cheiro da casa da minha avó. Do quanto lá gostava de estar, mas também do quanto quando lá estava queria regressar. Recordo ainda os "amigos" que por lá fiz e que nunca mais voltei a encontrar. 

Volto-me na cama, na perspectiva do sono chegar, mas o tic tac que se continua a fazer ouvir impede-o de vir.

De forma totalmente consciente apetece-me voltar lá. Voltar a recordar as mãos da minha avó. Pequeninas como toda ela era. Voltar a recordar a figura impávida e serena que era a do meu avô. O sabor a doce de tomate e a pão com manteiga e açucar. As recordações. Ai as recordações. Sempre essas benditas.

E, ainda que o pudesse não fazer, ou pelos menos evitá-lo, recordo-me do dia em que a minha avó nos deixou. Exactamente 6 meses depois do meu avô. Como que a corroborar aquela teoria que existe entre os de 2 ou 3 gerações atrás e que defende que se morre de saudade... que quando as pessoas vivem juntas muito anos (várias décadas neste caso), o amor continua para além de algo palpável. De algo material que se possa ver. Com eles foi assim. 1º um e 6 meses depois outro.

E agora o sentimento que me assola é o de angustia. Está na hora de ganhar coragem... Levanto-me e vou guardar o relógio onde o Tic Tac não interfira mais. E, no mais intimo do meu ser, continuo a contar... até que o sono chegue...

20.3.12

Escrevo porque...

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"...

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

12.3.12

Tal e qual como eu...

Sobre a "queda dos anjos"...

Que os anjos caem já toda a gente sabe. Portanto até aqui nada de novo. E os diabos, será que também caem? E os diabos em forma de ser (des)humano? Também caem? Ou será que pelo contrário se mantêm para sempre impávidos e serenos, vivendo eternamente uma vida maldizente em que as únicas alegrias que têm são o mal dos outros. Uma vida de aparências, de escárnio, de menosprezo, de insultos?!!

Houve um dia em que tive o prazer de ver cair um diabo destes. Um diabo em forma de gente. Um diabo com máscara de anjo. Posso afirmar, com total convicção, que a nível profissional foi dos dias mais felizes. 

Porque existem justiças que tardam mas não falham. Porque cair aos próprios pés, de cima de uma pose altiva, foi um episódio em que, não tendo sido a personagem principal, não me limitei a ser mera espectadora. 

Não gosto que os outros estejam mal, muito menos o provoco ou fico feliz por isso, no entanto, neste caso em especifico, aquelas lágrimas de choro compulsivo deitadas aos meus pés souberam-me a um qualquer néctar divino, pelo qual ansiei muito tempo.

E, saber que a única responsável pelo que aconteceu foi a personagem principal, a vilã em pele de heroina, a vibora no papel de "amiga-de-toda-a-gente", de toda uma história de enredos, de mentiras, de grandezas camufladas por muitos cartões de crédito, foi coisa para me deixar muito bem comigo mesma.

Afinal, se caem os grandes impérios não hão-de cair os diabos?!!! Pode é levar mais, ou menos tempo.... mas um dia eles também hão-de ceder... Ai, se hão-de...

Das coisas que sinto falta...

... nesta cidade onde passo parte do meu dia é de um café agradável... Um café onde rabisque algumas coisas enquanto fumo um cigarro e bebo um chá....

7.3.12

Gosto disto #4

Das coisas que me apeteciam #1

Acordar cedo. Abrir as janelas para deixar entrar o sol. Tomar um duche revigorante. Tratar de mim. Sair para tomar o pequeno almoço. Passar pelo mercado e comprar flores e pão frescos. Voltar para casa. Acender as velas que lhe perfumam o ambiente e o fazem mais acolhedor. Fazer um almoço leve. Voltar a sair. Ir ao café e dar dois dedos de conversa numa esplanada, aproveitando este sol maravilhoso. Reencontrar amigos. Fazer umas compras. Ir dar um beijo à minha avó. Regressar a casa. Acender a lareira e fumar um cigarro enquanto ouvia o lenha a estalar. Reacender as velas. Começar a ler um dos vários livros que estão em lista de espera. Fazer 2 ou 3 telefonemas que estão atrasados. Preparar um jantar gostoso, requintado, feito com amor. Abrir uma garrafa de vinho e ir molhando a garganta enquanto coloco a mesa. jantar. Ver um filme. Fumar mais um cigarro junto à minha lareira. Voltar a ler até adormecer....

E era um dia destes e quase que ficava nova nova....

6.3.12

Ilusões...

                      "E de novo acredito que nada do que é
 importante se perde verdadeiramente.
 Apenas nos iludimos,
 julgando ser donos das coisas
 dos instantes e dos outros.
 Comigo caminham todos os mortos que amei,
 todos os amigos que se afastaram,
 todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada,apenas a ilusão
 de que tudo podia ser meu para sempre."

5.3.12

Quando uma porta se fecha há-de se abrir uma janela {ou um portão}

Apesar de ser uma frase feita a verdade é que não raras vezes a vida já me provou que, por vezes basta querer, ainda que nem sempre seja suficiente, para transformar este cliché numa realidade.

Já, em diversas alturas tive amigos meus que, por vezes sem que nada o fizesse prever, viram uma porta fechar-se. A porta pela qual entravam todos os dias. A porta do oficío cuja camisola vestiam. Ao fim de algum tempo de pura resignação vejo-os de bem com a vida. Melhor do que onde estavam. Com outras perspectivas. Com um sorriso que há muito essa mesma porta lhe havia retirado. Conseguiram ultrapassar, com maior ou menor esforço. Conseguiram abrir a janela que estava emperrada há muito, por raras vezes se ter tentado tal artimanha. É certo que esta troca nem sempre se fez de forma voluntária, mui menos de ânimo leve. Custou sonhos que cairam por terra. Noites sem dormir. O diz que disse.  Mas permitiu a descoberta de um novo horizonte há muito confinado ás 4 paredes que tanto lhes eram familiares.

Também eu já tive portas que se fecharam. Na altura julguei que era um verdadeiro atentado ao bom senso. Uma falta de dois dedos de testa de quem mas fechou. Uma injustiça enorme. Passado algum tempo, porque continuei insistentemente a fazer o meu trabalho da única forma que o sei fazer- o melhor que me for possível- não se abriu uma janela mas sim um portão. Arrisquei e não me arrependo. As responsabilidades são outras, é certo, mas o reconhecimento, mais ou menos evidente, também passou a ser outro. Tenho a certeza que se a resignação se tivesse apoderado de mim, nessa altura em que só via injustiça à minha volta, nunca teria tido a oportunidade que tive e que tão bem aceitei.

Hoje, a anos de distância, vejo que o sentimento de injustiça que na altura tive foi colmatado pela própria vida. A minha, que me desenrasquei muito bem e agarrei tudo com unhas e dentes. E a dos que me fizeram sentir assim. Que não conseguiram agarrar essa mesma oportunidade.

É certo que infelizmente todos nós aguardamos impávidos e serenos.O medo de arriscar é mais do que muito e ficamos à espera que alguém nos dê o tal empurrão.

Agora gostava de ser mais ousada. De tentar ir mais além. De não ficar à espera que nenhuma porta se feche para, empurrada por uma motivação até então desconhecida, tentar abrir uma janela ou um portão. Gostava de sonhar mais. E de ter coragem suficiente para tornar os meus sonhos realidade!

Gosto disto #3

Deste sol que, embora de forma timída, me vai queimando a pele...

Sintonias...

As minhas palavras através das palavras de outros...