5.3.12

Quando uma porta se fecha há-de se abrir uma janela {ou um portão}

Apesar de ser uma frase feita a verdade é que não raras vezes a vida já me provou que, por vezes basta querer, ainda que nem sempre seja suficiente, para transformar este cliché numa realidade.

Já, em diversas alturas tive amigos meus que, por vezes sem que nada o fizesse prever, viram uma porta fechar-se. A porta pela qual entravam todos os dias. A porta do oficío cuja camisola vestiam. Ao fim de algum tempo de pura resignação vejo-os de bem com a vida. Melhor do que onde estavam. Com outras perspectivas. Com um sorriso que há muito essa mesma porta lhe havia retirado. Conseguiram ultrapassar, com maior ou menor esforço. Conseguiram abrir a janela que estava emperrada há muito, por raras vezes se ter tentado tal artimanha. É certo que esta troca nem sempre se fez de forma voluntária, mui menos de ânimo leve. Custou sonhos que cairam por terra. Noites sem dormir. O diz que disse.  Mas permitiu a descoberta de um novo horizonte há muito confinado ás 4 paredes que tanto lhes eram familiares.

Também eu já tive portas que se fecharam. Na altura julguei que era um verdadeiro atentado ao bom senso. Uma falta de dois dedos de testa de quem mas fechou. Uma injustiça enorme. Passado algum tempo, porque continuei insistentemente a fazer o meu trabalho da única forma que o sei fazer- o melhor que me for possível- não se abriu uma janela mas sim um portão. Arrisquei e não me arrependo. As responsabilidades são outras, é certo, mas o reconhecimento, mais ou menos evidente, também passou a ser outro. Tenho a certeza que se a resignação se tivesse apoderado de mim, nessa altura em que só via injustiça à minha volta, nunca teria tido a oportunidade que tive e que tão bem aceitei.

Hoje, a anos de distância, vejo que o sentimento de injustiça que na altura tive foi colmatado pela própria vida. A minha, que me desenrasquei muito bem e agarrei tudo com unhas e dentes. E a dos que me fizeram sentir assim. Que não conseguiram agarrar essa mesma oportunidade.

É certo que infelizmente todos nós aguardamos impávidos e serenos.O medo de arriscar é mais do que muito e ficamos à espera que alguém nos dê o tal empurrão.

Agora gostava de ser mais ousada. De tentar ir mais além. De não ficar à espera que nenhuma porta se feche para, empurrada por uma motivação até então desconhecida, tentar abrir uma janela ou um portão. Gostava de sonhar mais. E de ter coragem suficiente para tornar os meus sonhos realidade!

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