2.2.14

Da dificuldade que é para algumas pessoas o conceito de viver em sociedade....

Já outrora aqui falei sobre o facto de viver num prédio e de todos os dissabores que isso acarreta, nomeadamente ouvir o vizinho do lado na WC, a vizinha de baixo em pleno acto sexual, ou mesmo a criança de cima que chora, como todo e qualquer bebé, independentemente das horas, como se ambos estivessem metidos dentro da minha casa. Eu ouço-os a eles da mesma forma que eles me hão-de ouvir a mim. Vivemos num prédio que, ainda que novo, não deve ter ficado a dever muito aos bons isolantes. Quando comprei casa saberia que ia ser assim. Por um lado a sensação de nunca se estar completamente sozinha e por outro um quase estado de invasão de propriedade com que se habitua a viver até que o mesmo se torne indiferente.

Eu nunca reclamei com ninguém acerca destas situações, a meu ver naturais, como julgo que nunca ninguém tenha reclamado do barulho que possa existir em minha casa.

Até aqui tudo normal. Agora, o que não é mesmo nada normal passa-se na parte exterior da casa: já por três ou quatro vezes cheguei ao carro e tinha lá bilhetes de vizinhas (são sempre elas) que se sentiram incomodadas com o local onde estacionei o carro, mesmo que por breves minutos e até mesmo quando o mesmo não está a impedir o acesso a nenhuma garagem. Segundo elas, o facto do meu carro estar estacionado num local que é "terra de ninguém", mesmo junto ás garagens delas, dificulta-lhes a vidinha quando chegam a casa. Ou porque não conseguem meter o carro à primeira na garagem, ou porque tiveram que se desviar 10 centímetros do circuito diário normal ou até mesmo porque apenas acham que não. Que ali não é lugar para estacionar carros!

Depois, o mais engraçado ainda é o conteúdo dos próprios bilhetes: que não se responsabilizam se me derem um toque, que tenho que ter atenção, que isto, que aquilo... 

O último episódio aconteceu ontem. cheguei ao carro e lá estava ela... uma linda declaração da minha vizinha. Por sorte, ou azar, a mesma estava na garagem com o portão aberto. Viu-me chegar ao carro e a ler o bilhete e de imediato veio ao meu encontro. Que não, que assim não pode ser, que trazia compras e tinha que meter o carro na garagem. Pedi desculpas, ainda que ache que não as tinha que pedir, e expliquei gentilmente à senhora que deve ser implicância dela comigo, porque nunca nenhum outro vizinho me chamou à atenção e que além disso o carro dela estava na garagem sem nenhum risco. Nem o dela nem o meu. Aqui toquei-lhe no ego... que teve que fazer não sei quantas manobras, que puxa para aqui, empurra para ali... Na verdade a entrada da garagem dela estava totalmente livre, o meu carro não estava a ocupar 1 cm sequer. A diferença é que a senhora teve que fazer a curva mais apertada. E isso a ela custou-lhe horrores.

Ás páginas tantas, já o marido, calado até então, lhe dizia para ela ir embora que eu até já tinha pedido desculpa e ela insistia... Que era uma falta de respeito, que eu não podia deixar ali o carro, que não se responsabilizava. Eu calada. O marido a mandá-la calar. Ela a dar-lhe forte e feio. Assim se passaram uns bons 10 minutos.

Só tenho pena que estas pessoas se esqueçam de deixar o carro na garagem, quando  a têm, o que infelizmente não é o meu caso, e o coloquem nos únicos poucos lugares que existem para quem não tem garagem. E isto foi efetivamente a ultima coisa que lhe disse antes de virar costas.

Viver em sociedade não é para todos e ver uma barriga para além da nossa, ainda menos!!!

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