19.2.14

Das pessoas que morrem em nós e das outras que nós matamos...

Existem pessoas que deixam de fazer parte da nossa vida. Por uma questão afastamento mais ou menos propositado. Porque, a vida faz com que as pessoas se separem fisicamente e, mesmo vivendo num mundo em que por muito longe que estejamos, todos estamos demasiado perto, por vezes à distância de um toque. Essas pessoas, com as quais deixa de existir a cumplicidade de um sorriso, que deixamos de reconhecer, que fazem parte de um passado, que são apenas pedaços da memória do que somos e do que já vivemos um dia, são pessoas que morrem em nós

Depois existem as outras, aquelas pessoas que nós matamos em nós. Que queremos arrancar da nossa vida. Esquecer uma história que se escreveu com as mesmas canetas. Que associamos de imediato à palavra desilusão. Que por vezes lentamente, pouco a pouco, nos vão ferindo no mais intimo do nosso ser. De que todas as boas lembranças são uma gota no imenso oceano de coisas que nos lesionaram. De quem "nem o nome ousamos lembrar". De uma vivência que se pautou por sentimentos de raiva e de angustia. Que despoletaram em nós uma faceta que até então desconhecíamos. Mas que, apesar de tudo, nos fizeram crescer enquanto pessoas.

Destas pessoas, das que nos morrem e das que matamos, guardamos o que de melhor se pode guardar: a experiência e a certeza do que não queremos voltar a viver.

Felizmente, em mim já morreram mais do que aquelas que matei. 

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