... deve ter sido um dia semelhante ao que estão a ter os profissionais desta área que estão a trabalhar no caso que lançou Beja para as luzes da ribalta!
A mente humana é macabra. Ama com a mesmo profudidade com que é capaz de odiar. De matar. De esquartejar outro ser humano, como se de carne numa bancada de talho se tratasse....
Momentos de loucura, acusam outros. Uma vida de abusos, incriminam outros. O que é certo, e que ainda me resta do que a faculdade de psicologia me ensinou, é que muito, mas mesmo muito dificilmente um dia algém irá perceber com certezas absolutas o que é que exactamente se passou. Porque quem é vítima já cá não está para contar. E que é culpado dificilmente terá discernimento mental suficiente para o fazer. Restam-nos as provas. E a análise das mesmas. E nelas, basear toda uma teoria que, podendo nunca chegar a ser confirmada, ao menos irá confortar, como se conforto possível existisse, todos aqueles que se sentem lesados com tamanha barbaridade. Porque o povo acalma os ânimos. Mas nunca esquece. E deseja que tal monstro arda no fogo do inferno.
Porque a justiça popular, mais do que a justiça divina, existe. Para pena de muitos dificilmente será posta à prova.
Porque, para crueldade basta o que já foi feito. Nada irá apagar tamanha chacina. Nada, nem ninguém, trará de volta quem, de forma totalmente inesperada e revoltante é levada desta vida.
E, para todos os que cá ficam, a vida continua. Incluindo para quem, de forma totalmente natural, aos olhos dos que com ele se cruzaram, o continuou a fazer. Como se nada fosse. Como se, por obra do acaso, na televisão daquela Rua de Moçambique estivesse a passar um filme de terror, cuja personagem principal era uma catana, e que esse mesmo filme não tivesse fim. Onde as bobines continuaram a rodar. Para todos, menos para os figurantes. Que se tornaram personagens principais. Na memória de todos nós. Dos que com eles privavam e dos que simplesmente os conheciam.
Resta-nos confrontar com a dura realidade: ninguém conhece ninguém. Nem nós próprios nos conhecemos. Hoje somos uma coisa e ali, já ao virar da esquina, podemos ser outra totalmente oposta. Muito mais do que qualquer dupla personalidade. Muito mais do que qualquer teoria da mente humana possa alcançar. Muito mais do que tudo. Muito menos do que nada!!!
1 comentário:
Pena que o que acabou por fazer, já tenha sido tarde.
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