16.7.12

Dos Costa Concordias desta vida...

Reza a lenda e o bom senso que o comandante deve ser o último a abandonar o navio. Quando as coisas correm bem e também quando correm menos bem.


E quando o comandante, por mero azar do acaso, caí ao mar, tal como ocorreu a Francesco Schettino? Bem, neste caso não se trata de um mero azar, mas sim de um acumular deles... não basta o naufrago, senão ainda a queda do comandante...

Na vida, existem por aí muitos Francesco Schettino. Pavoneam-se pela dimensão do seu navio. Embarcam nele como quem embarca no sonho de uma vida [ainda que não tenham sido eles a sonhá-lo] e remam ao sabor da maré. Na verdade, remam na vontade de quem tem a prática, a astúcia e a vontade, para o fazer. Porque para eles, para os comandantes dos costa concordias desta vida, o importante não é ser. É ter.

Porque, ostentar uma vitória feita à base do [ardúo] trabalho dos outros, é coisa para a qual é preciso ter tomates, e o que não falta por ai são pessoas com um belo par deles... 

Porque, congratular-se com as vitórias feitas à base de muitas horas de trabalho dos outros, é uma coisa que não é para quem quer, é só, mas mesmo só, para quem pode... 

Porque, dar a cara e não dar o corpo ao manifesto é simplesmente pecaminoso. De uma falta de carácter extrema. 

E não, nem tudo se baseia numa relação de confiança. De saber. Baseia-se, isso sim, numa extrema falta de querer!!! 

Agora, aquilo que em plena crise do século XXI [ainda] me espanta, é a facilidade com que alguém é tutor de um projeto que não fez e com o qual tenho duvidas que se identifique, deixe o mesmo nas mãos de quem tão bem o faz, sem que tenha o mínimo peso na consciência?!!! Porque, nos projectos da vida, tal como nas viagens realizadas em qualquer barco, de recreio ou de pesca, o comandante é responsável máximo pelo que de bom, ou menos bom aconteça. E, em caso de naufrágio, deverá ser o mesmo a accionar qualquer meio de socorro que tenha ao seu alcance. Dar o corpo às balas e defender toda uma tripulação...

Mas isso, não é para todos. É apenas para aqueles que, no reflexo do espelho, conseguem ver mais do que a sua imagem...


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