... ou do não ser...
Levamos a vida a fazer planos para o futuro. A projectar sonhos e utopias. A poupar dinheiro. A idealizar e arquitectar o que queremos que seja a nossa vida daqui a uns tempos. Não vamos jantar fora porque é caro e os tempos que correm são de poupança. Descontamos rios de dinheiro para uma reforma que não sabemos se vai existir quando chegar a nossa altura. Temos contas poupança, certificados de aforro e fazemos mealheiros.
Chateamo-nos com as pessoas de que mais gostamos. Fazemos birras. Amuamos. Não dizemos o que sentimos, ou então teimamos em dizer o que não sentimos. O que a raiva de alguns momentos nos faz dizer. Sem pensar. Choramos desalmadamente por coisas, por vezes, sem tanta importância assim.
Desvalorizamos o que é importante e perdemos tempo a dar importância a males menores.
Não nos preocupamos em ser suficientemente felizes, quando temos a maior parte dos ingredientes para tal, porque nos preocupa o depois, o diz-que-disse. Vivemos condicionados por uma opinião pública.
Olhamo-nos ao espelho e tantas vezes somos apenas a sombra do que gostaríamos de ser. Um reflexo quase invisível daquilo que nos imaginamos.
Coleccionamos amigos no facebook como quem, em criança, coleccionava cromos. Mas, passamos dias, meses e até anos, para ligar a um desses amigos. Adiamos constantemente beber um café, "porque temos uma vida muito ocupada".
Olhamos para as fotos da nossa infância, no tempo em que a era digital não passava de uma miragem, e revivemos, ainda que sem ser em consciência, aqueles momentos de pura ingenuidade. Aqueles momentos que parecem vividos no ano passado, quando na realidade já fazem parte do outro século; O tempo passa por nós, quando deveríamos ser nós a passar por ele!
Somos inconscientes, e fazemos asneiras sem pensar nas consequências, ou então somos certinhos de mais e evitamos ousar.
Por vezes pomo-nos a jeito, já em outras... a vida "farta-se" de nós...
Depois um dia, numa dessas ultimas vezes, quando nada o fazia prever... tudo acaba.
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