Sempre tive uma ideia não fundamentada de que os emigrantes viviam de ilusões. De que a vida 'lá fora' não era o oásis que nos faziam crer aqueles que tinham partido em busca de melhores condições de vida mas regressavam no mês de Agosto, em forma de desfile de ouro e carros topo de gama. Sempre achei que não se poderia viver muito pior neste cantinho à beira mal plantado do que em países onde o sol passa meses sem dar o ar da sua graça.
Finalmente fundamentei a ideia que tinha. Os Mercedes, BMWs, Audis e outros que tais que apenas servem para ostentar riqueza (que não têm), não passam de carros alugados para virem desfilar no país que os viu nascer mas que, por circunstâncias da vida, não os conseguiu manter.
Os trezentos e trinta dias do ano são feitos de trabalho árduo num oficio que não fariam no seu país, para nos restantes 30 dias desse mesmo ano regressarem à terra natal e pagarem cafés com notas de 200€. A casa onde dizem morar não tem mais do que 40 m2, ainda que lá pernoitem 5 ou 6 pessoas. A casa a sério, aquela que apresenta as condições ideais de conforto está sediada em Portugal. Para mostrar que lá fora se ganha muito dinheiro, ainda que essa mesma casa só sirva de albergue para meia dúzia de dias do ano, porque os restantes são passados sabe-se lá em que circunstâncias.
Acredito profundamente que 'lá fora' se consiga juntar algum dinheiro, da mesma forma em que acredito {ainda mais religiosamente} que cá, não agora mas há uns tempos (e lá fora é a mesma coisa) também se conseguem juntar esses trocos, desde que... a vida se limite a trabalho-casa-trabalho.... e-xa-ta-men-te como os nossos emigrantes fazem...
Vida pessoal, diversão, beber um café, ir a um centro comercial são termos que não se coadunam com emigração.
Não concebo viver a minha vida como se numa prisão estivesse. Sem puder efetivamente vivé-la e cingir-me ao trabalho, a um trabalho que no meu país me recuso a fazer, que considero baixo e do qual me envergonho (Atenção, isto não é o que EU penso nem tão pouco a minha opinião). Prefiro não ter um bom pé de meia, não amealhar para comprar a casa dos meus sonhos, mas ir vivendo dia a dia. Passear. Viajar. Correr o mundo. Conhecer. Jantar fora. Conviver. VIVER!!!
A vida é feita de opções e esta é a minha. No entanto, não coloco de lado a hipótese de recomeçar num qualquer outro canto do mundo, desde que isso não implique deixar de viver.
E é esta diferença que reconheço nos que foram há muitos anos e nos que agora vão: recomeçar mas nunca deixar de se ser quem é. De trabalhar, é claro, mas também de aproveitar porque, afinal... não se vive mesmo 2 vezes... nem aqui nem na Conchinchina !!!!