10.9.12

A galinha da minha vizinha...

A verdade é que quando qualquer coisa nos toca à porta, toca sempre em forma muito mais agreste do que se fosse a outra porta qualquer que tocasse. 

Quantos de nós não julga, por vezes ainda que em inconsciência, que quando nos dói algo a nós a dor é muito mais insuportável do que quando ouvimos qualquer outra pessoa dizer que tem essa dor?

A capacidade de relativizar é perdida no exacto momento em que está a acontecer connosco e não com os outros. Sentimos na "pele" e isso desvaloriza tudo o resto.

Da mesma forma que "com os males dos outros podemos nós bem", por muito altruístas que possamos ser.

Falar de crise é falar daquilo que é actualmente tema de conversa em qualquer esquina, em qualquer mesa de café, em qualquer fila, em qualquer sítio. Porque ela existe e está presente no nosso dia a dia. Mas.. uma coisa é ouvir falar, outra é presenciar e outra ainda é sentir na pele...

E eu estou no 2º patamar: presenciar. Nos últimos tempos tenho observado, nos corredores dos supermercados, pessoas com calculadoras na mão, a somar os bens essenciais que levam, porque o dinheiro não dá para mais. Também tenho assistido, nas caixas dessas mesmas lojas, pessoas a pedirem para serem avisadas quando a soma chegar a determinado valor, ou então, na expectativa de uma súbita diminuição do preço de cada coisa, pessoas estupefactas quando lhes é apresentada a conta total, em que a única opção que têm é deixar metade das compras na caixa do supermercado. E nessa metade está leite, está fruta, estão iogurtes. Não estão bens superfulos.

Eu sei que "isto" não é "nada" perante a realidade de tantas outras pessoas que não têm tão pouco o mínimo necessário para viverem. Que nem no supermercado entram. A quem nada resta. Da mesma forma que sei que para outras pessoas, pessoas como eu, a quem nunca nos faltou nada, esta é uma realidade que choca. Que absorve. Que nos mostra o quão sensível e efémeros somos!!!!



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