Somos pessoas de convicções. Uns mais do que outros, é um facto.
Passamos metade da nossa vida a atirar pedras a quem erra e a outra metade a defender valores nos quais acreditamos piamente.
Julgamo-nos intocáveis e invencíveis.
Somos superiores a muita coisa e criticamos outras tantas.
Acreditamos que há coisas que não mudam nunca da mesma forma que defendemos que nunca ninguém terá a capacidade para as mudar. Para mudar o pouco, ou o muito, depende da perspectiva, que é nosso por direito. Da nossa essência. Daquilo que nos diferencia entre os restantes.
Defendemos, sem juízo de causa, ou sem o ser em causa própria, uma panóplia de comportamentos que vemos nos outros.
Dizemo-nos desta forma ou daquela e defendemos isso como quem se defende da forca.
Mas depois, quando reflectimos um pouco e fazemos alguma introspecção, o famoso antes e o depois, constatamos que afinal nada é assim tão taxativo. Que as pessoas não são todas iguais e nem todas exercem a mesma influência sobre nós. Que nos movem situações distintas, dependendo da altura e da circunstância. Que afinal o que eram certezas ontem hoje não passam de dúvidas. E que as dúvidas de ontem hoje são certezas absolutas. Pelo menos até ver.
Olhamos no passado e procuramos o momento da mudança. O momento em que algo ou alguém nos mudou. Em que alterámos prioridades. Em que passámos a desvalorizar certas coisas. Em que passámos a valorizar outras. Em que vemos que afinal, por vezes, conseguimos viver com tão pouco. E, de forma mais ou menos surpreendente verificamos que não existo O momento. O que existem, isso sim, são uma série de acontecimentos. De circunstâncias que nos vão moldando. Ás quais, de forma mais ou menos consciente, nos adaptamos.
Porque isto é viver. Para uns ao sabor da maré. Para outros através de um esforço adicional para acolher essa mudança. E, para outros ainda, de uma forma totalmente natural, como se a capacidade de adaptação lhe pertencesse desse sempre.
Porque existem pessoas, sentimentos, valores, que nos fazem mudar. Que nos fazem mudar a importância que damos ás coisas. Que nos fazem "habituar" a viver com menos, ou pelo menos, com sensações completamente distintas.
Porque, uma vez mais, isto é a vida e isto é viver!!! E esta mudança, de forma mais ou menos ponderada, não nos faz seres menores. Apenas nos faz seres mais ou menos adaptados. Mais ou menos resignados!!!
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